Rio de Janeiro

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Anink Marink

Me acompanhe nesta viagem através do diário-país

Segunda-feira, Junho 30

Caminhando contra o vento

No verão, é um dos lugares mais agraváveis do Rio para se fazer uma caminhada. No inverno, as borboletas somem, o sol se esconde atrás das copas das árvores, mas o encontro do ar puro com a vista privilegiada continua. A Estrada das Paineiras é o meu canto no Rio.
A foto é de autoria da amiga de todas as horas, Luciana Lacerda.


Por entre as frestas das árvores da Estrada das Paineiras, surge o Corcovado ao longe.

.: escrito por Ana Maria 11:21 AM


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Quinta-feira, Junho 26

Pausa para reflexão

Foto enviada pelo meu grande amigo Rogério, paulista-baiano que mora atualmente em São Francisco. Faz curso de fotografia e tem fotos lindíssimas.


Esta paisagem foi cratera de origem vulcânica um dia. Hoje, belo lago no Oregon

.: escrito por Ana Maria 11:03 AM


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Terça-feira, Junho 24

Mudanças à vista

Tô a fim de fazer uma mudança na minha vida - uma faxina ampla, geral e irrestrita, se é que vocês me entendem. Começando por pequenas coisas que estão ao meu alcance e controle, mas que contenham todo o simbolismo do desejo de transformação. Algo como incrementar a sempre adiada decoração da casa, voltar a praticar atividade física regular (pilates, por exemplo), modificar o corte de cabelo (chanel, desfiado, nuca batida, tantas opções...), comprar umas roupas novas e, last but not least, trocar o template do blog.
Isso mesmo. Nem a cara do blog vai escapar desse meu ímpeto revisionista.
O corte das madeixas já tem data marcada e local definido - sexta-feira, no Jean-Marc, Shopping Cassino Atlântico, Copacabana, Brasil. O resto vai aos poucos.
Aqui no Anink, gostaria de colocar uma lista de blogs favoritos, coisa que nunca consegui fazer com o template atual. Me aguardem !

.: escrito por Ana Maria 10:47 AM


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Segunda-feira, Junho 23

Poesia espanhola

Nas aulas que freqüento no Instituto Cervantes, tenho entrado em contato com a literatura espanhola e me descobri apaixonada pela sonoridade desse idioma. Nada que se compare ao amor que devoto à língua portuguesa, mas chega perto.
A descoberta mais recente é a de Lope de Vega - poeta espanhol que viveu no século XVII. Publico aqui Soneto.

Desmayarse, atreverse, estar furioso
áspero, tierno, liberal, esquivo
alentado, mortal, difunto, vivo
leal, traidor, cobarde y animoso;

no hallar fuera del bien centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo
enojado, valiente, fugitivo
satisfecho, ofendido, receloso;

huir el rosto ao claro desengaño,
beber veneno por el licor suave,
olvidar el provecho, amar el daño;

creer que un cielo en infierno cabe,
dar la vida y el alma a um desengaño:
esto es amor: quien lo probó lo sabe.

.: escrito por Ana Maria 12:25 PM


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Sábado, Junho 21

As fogueiras dos solstícios



Hoje, às 16h 11min, começou o inverno no hemisfério sul e o verão na metade norte do planeta. São os chamados solstícios. Tempo de acender fogueiras para aquecer nossas noites frias ou para comemorar a fartura vinda da colheita nas terras acima da Linha do Equador.
No Brasil, a festa mais famosa nessa época é a Noite de São João, no dia 24 de Junho. Na Dinamarca, o mesmo santo também se faz merecedor de uma festa de arromba - a Sankt Hans Aften ou Saint John Eve, só que comemorado na véspera, dia 23.
Apesar de terem nome de santo, as festividades juninas são anteriores ao surgimento do Cristianismo, tendo origem pagã (rituais de fertilidade). A festa escandinava utiliza, inclusive, a figura de uma bruxa no alto das fogueiras.


Tempo de celebrar com uma grande fogueira a noite/dia mais longa do ano

.: escrito por Ana Maria 4:38 PM


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Quinta-feira, Junho 19

O Rio amigável


Cariocas são doces como o Pão de Açúcar

Não pretendia voltar ao tema tão cedo porque acabei de escrever um post sobre a minha cidade. Mas não pude resisitir ao ler uma matéria no jornal O Globo de hoje.

O artigo mostra o resultado de uma pesquisa, feita em diversas cidades do mundo, em que se aponta a imensa disponibilidade dos brasileiros em ajudar o próximo. O Rio de Janeiro - como representante do Brasil - levou o troféu simpatia.
Tenho certeza de que se essa mesma pesquisa fosse feita em outras cidades brasileiras, o país estaria nas cabeças do mesmo jeito.


Pesquisa aponta o Rio como a cidade mais amigável do mundo
Reuters

LONDRES - O Rio de Janeiro é uma cidade perigosa, mas foi considerada a mais amigável do mundo, seguida de San Jose, na Costa Rica, e Madri, de acordo com uma pesquisa realizada em 23 países e divulgada hoje pela revista "New Scientist". Os moradores de Kuala Lumpur, Nova York, Cingapura e Amsterdã são os menos propensos a ajudar estranhos em situações de necessidade, o que as transforma nas cidades menos amigáveis, segundo o estudo.

"Tudo se reduz a simpatia, ou simpático, uma palavra usada no Brasil que descreve uma pessoa que tem certas qualidades como hospitalidade e franqueza", diz a revista.

De acordo com o estudo de seis anos realizado por Robert Levine, da Universidade do Estado da Califórnia, em Fresno, e um grupo de profissionais da área de psicologia social, os brasileiros têm simpatia em abundância e por isso o Rio encabeçou a lista.

Quando os pesquisadores realizaram os testes com os moradores para ver sua capacidade e disposição para ajudar estranhos, descobriram que as cidades latino-americanas, onde as relações sociais são bastante valorizadas, ficaram nos primeiros lugares. Segundo o estudo, várias cidades que figuram entre as mais pobres e menos estáveis do mundo foram mencionadas como as mais amigáveis, enquanto as cidades superpopulosas e de ritmo frenético têm os moradores menos dispostos a ajudar estranhos.

.: escrito por Ana Maria 9:36 AM


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Terça-feira, Junho 17

Eu o Rio de Janeiro, Fevereiro, Março

Para quem mora na cidade, costuma visitá-la ou somente aprecia de longe esse nosso purgatório-da-beleza-e-do-caos, aqui vai uma dica de blog: Facetas Cariocas. Nele, a jornalista Gloria Horta publica textos e fotos sobre a mal tratada, porém ainda muy bela, Cidade Maravilhosa.
Adorei uma frase dela dizendo que "o blog é um livro para ser lido de trás pra frente".


O Cristo Redentor e parte da Zona Sul da cidade se iluminando ao cair da tarde

.: escrito por Ana Maria 11:21 AM


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Quinta-feira, Junho 12

Na cama com Van Morrison



Adoro acordar ao som de canções. Sintonizo meu rádio-relógio quase sempre na JB FM, que hoje caprichou na seleção musical. Fui despertada por ninguém menos que o cantor/compositor irlandês, Van Morrison.

Have I told you lately that I love you
Have I told you there's no one above you
Fill my heart with gladness
Take away my sadness
Ease my troubles, that's what you do.

Oh the morning sun in all it's glory
Greets the day with hope and comfort too
And you fill my life with laughter
You can make it better
Ease my troubles, that's what you do.

.: escrito por Ana Maria 3:44 PM


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Terça-feira, Junho 10

Delirando muito

Recebi por e-mail de minha amiga Luciana. Sonhar custa pouquíssimo.
By the way, tem um errinho de concordância num dos textos dos cartuns. Mas como a jornalista aqui saiu pra passear, vou fingir que não vi, ok ?

.: escrito por Ana Maria 2:54 PM


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Sexta-feira, Junho 6

Mulheres em estado interessante

Ainda não tive a alegria de ser mãe. Adoraria ficar com aquele barrigão, peitão, me sentindo linda, sensual, poderosa. Tenho alguns amigos que acham que a mulher fica destruída quando engravida. Discordo totalmente. Claro que existem grávidas que desmentem a minha tese, mas penso que elas já eram meio desenxabidas antes da gestação - os nove meses só acentuariam o que estivesse latente.

Esta imagem foi copiada do blog do Fernando Stickel, que gentilmente concordou com o plágio.


A foto - belíssima, no meu modo de ver - é de Christian Coigny.

.: escrito por Ana Maria 9:00 AM


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Quarta-feira, Junho 4

Maternidade e creche

Desde que vim morar na Tijuca, observo que os lustres da área de serviço e os da fachada da minha casa, de tempos em tempos, viram maternidade dos passarinhos das redondezas. Eles constroem pacientemente os ninhos e depois, quando os filhotes nascem e se tornam independentes, abandonam o lustre. Já perdi a conta de quantas gerações de cambachirras já nasceram por aqui.


Passarinho macho faz uma visita ao ninho onde está a fêmea e seus filhotes

.: escrito por Ana Maria 11:19 AM


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Segunda-feira, Junho 2

Sabedoria

Toda vez que alguma coisa dá pra trás na minha vida e fico me sentido a penúltima das criaturas, me lembro de uma poesia do Fernando Pessoa chamada Poema em linha reta. Nesse texto, através de seu heterônimo Álvaro de Campos, ele reclama das pessoas que nunca admitem suas fraquezas e fracassos - aqueles que sempre se dizem fortes e passam ao largo do ridículo.
Hoje, mais do que nunca, faço minhas as palavras do poeta.


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda.

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar.

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia !

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil ?

Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra ?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca !

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear ?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Fernando Pessoa caminhando por Lisboa e em uma de suas últimas fotos

.: escrito por Ana Maria 5:37 PM


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