Rio de Janeiro

home | archives

Anink Marink

Me acompanhe nesta viagem através do diário-país

Segunda-feira, Outubro 31

Muito além do jardim



Acabei de assistir ao filme O Jardineiro Fiel, do cineasta Fernando Meirelles. Para minha surpresa, o cinema estava lotado em plena tarde de segunda-feira, ainda que chuvosa. Faz por merecer todo esse público - Ralph Fiennes e Rachel Weisz estão perfeitos. É uma história de amor? Sim. É um filme de suspense político? Sim. Faz denúncia social? Sim. E além disso, a narrativa brinca de parece-mas-não-é com o espectador. Coisa de gente talentosa.



Se admirava o trabalho do diretor desde o premiado Cidade de Deus, agora me filiei ao fã-clube.



Antes que me esqueça: as paisagens do Quênia são belíssimas. O diretor de fotografia é o uruguaio radicado no Brasil, César Charlone. O único profissional que o Fernando conseguiu emplacar na equipe.

.: escrito por Ana Maria 8:31 PM


deixe aqui o seu comentário:

Segunda-feira, Outubro 24

Sempre polêmico



O jornalista e escritor Ivan Lessa é uma figura. Lúcido, mordaz, ferino, não bajula ninguém. Assina uma coluna no site da BBC Brasil, que eu leio sempre que posso. Eis aqui um dos textos:



Jesus Cristo teria expulsado todos os blogueiros da internet

Eu até uns tempos me interessava por blogues (prefiro essa grafia). Boa bola.
Diarista ou comentarista na rede, dizia para com meu próprio teclado, crente que neles iria um dia encontrar, não digo um Samuel Pepys ou Anne Frank, mas, ao menos, alguém feito o Pax Salam, de fama fugaz, que blogueou de Bagdá logo no início da coalizada invasão aliada.

Depois, como tantas outras coisas na minha vida, desisti.

Opinião, eu não aguento mais, dela há um excesso nesse mundo cibernético e, por eu mergulhar demais nas águas ora plácidas ora bravias das nossas margens ypirangais, acabei me cansando da descrição embevecida do próprio umbigo, frase que eu gosto e que já devo ter escrito algumas vezes em lugares diferentes, ou mesmo iguais. Na Net, vale o coringa.

Soube, outro dia, que nos Estados Unidos, na Califórnia, Estado em que plantando ou não tudo dá, houve uma convenção de três dias de 135, assim chamados, "blogueiros de Deus", cristãos que passaram 72 horas discutindo coisas que iam de seu relacionamento com a Igreja tradicional à influência dos blogues (quer dizer: eles mesmos) no mundo da política.

Uma pergunta que os "blogueiros de Deus" se fizeram, com a maior seriedade permitida por lei na Califórnia, foi a seguinte: "O que Nosso Senhor Jesus Cristo bloguearia se tivesse acesso à Net?"

Não sei a que conclusões chegaram. Meu instinto, ou minha crença e esperança, é a de que Jesus Cristo teria expulsado todos os blogueiros da Net, a exemplo do que fez com os vendilhões no templo.

Na minha humilde opinião, como dizem os soberbos, Jesus Cristo era, por excelência e missão messiânica, pré-Gutemberguiano, o que já dificulta qualquer discussão, esclarecida ou obscura como este vosso criado e servo, senhores e senhoras.

Teve um "blogueiro de Deus" lá que comparou os blogues cristãos às teses pregadas por Martinho Lutero na porta daquela igreja em Wittenberg, há uns bons 500 anos, do que resultou, vias travessas, o movimento da Reforma Protestante na Europa.

Por mim, se pregassem na porta de uma sala de conferências, especialmente contratada para o ocasião, os tais 135 "blogueiros de Deus" teríamos o começo de um ... Não sei o quê. Mas que seria saudável, lá isso seria.

Ivan Lessa

.: escrito por Ana Maria 12:20 PM


deixe aqui o seu comentário:

Quinta-feira, Outubro 20

Domingo é dia de referendo



A quem interessar possa, meu voto é Sim.


.: escrito por Ana Maria 4:39 PM


deixe aqui o seu comentário:

Domingo, Outubro 16

Estréia do horário de verão

Depois da chuva e da ventania na sexta e no sábado, o domingo amanheceu com sol bem fraquinho. Escolhi fazer a caminhada da semana no Jardim Botânico e muita gente teve a mesma idéia. Nunca vi aquele lugar tão cheio. O passeio se deu sob as bençãos do novo horário de verão. Nos primeiros dias, meu organismo estranha um pouco a mudança, mas gosto de ter luz natural até tarde. Publico algumas fotos que tirei por lá.













.: escrito por Ana Maria 4:42 PM


deixe aqui o seu comentário:

Terça-feira, Outubro 11

Vivendo e aprendendo

- Se hoje você sabe português, agradeça à Dra. Werneck.

Durante anos fiquei com essa frase martelando na cabeça. No dia em que minha mãe a pronunciou de maneira categórica, levei o maior susto. Dona Helena não só achava que a filha conhecia alguma coisa da língua portuguesa, como tinha certeza de que a responsável direta por esse fato era minha primeira professora.

Custei um pouco a aceitar a tese materna porque vivia às turras com as vírgulas, crases e objetos diretos preposicionados. Além disso, na minha cabeça, o gosto pelo estudo do idioma pátrio teria nascido de um potinho usado de Creme C Pond's, onde eram guardados uns quadradinhos de cartolina com as letras do alfabeto, os encontros vocálicos e consonantais. Magia pura brincar de formar palavras.

Mi madrecita era especialista em frases bombásticas e definitivas e eu sempre fui muito sensível à convicção alheia. A partir desse dia, passei a encarar meus conhecimentos linguísticos com outros olhos. E Maria Werneck de Castro foi elevada à condição de guru-mor.

Pode-se dizer que a mestra não veio ao mundo a passeio. Rigorosa, apontava os erros e acertos com severidade. Alguns alunos suavam em bicas com as broncas dela. Comigo era muito carinhosa. No bolso do uniforme - idêntico aos que os estudantes do colégio usavam -, levava uma caneta Bic verde e o inseparável batom com o qual retocava o contorno dos lábios depois de tomar café.

Certa vez, escutei uma conversa estranhíssima de que havia queimado alguns livros de sua biblioteca. Como assim? A professora que demonstrava tanto amor pela cultura e zelava pela encadernação dos nossos cadernos não acenderia fogueira com a Mágica do Saber. Alguma coisa naquela história não fechava. Comentei o fato com minha mãe. Estávamos no final da década de sessenta, AI-5 em vigor, muita gente saindo do país num rabo de foguete. A resposta veio direta: sua professora defendeu os comunistas. Não entendi nada, mas aos sete anos a gente não entende muita coisa mesmo. Esqueci o assunto.

Uma década se passou e ao ler Olga, de Fernando Morais, dou de cara com o nome de Maria Werneck de Castro no texto. Ela aparece como companheira de cela de Olga Benário, Nise da Silveira e Beatriz Bandeira. Peraí. Dra. Werneck, dona do Curso Bandeirantes, minha primeira professora e guru-mor do idioma pátrio esteve presa por motivos políticos? Rebobinei a fita e o episódio dos livros destruídos começou a fazer sentido.


Adorava o uniforme do Curso Bandeirantes

.: escrito por Ana Maria 3:33 PM


deixe aqui o seu comentário:

Segunda-feira, Outubro 3

Eu Festival de Cinema



O que mais me chama a atenção nas salas de cinema do Festival do Rio é o silêncio durante a projeção. Você só escuta os diálogos e a trilha sonora. Parece bobagem, mas experimenta assitir a um filme em circuito normal. O povo conversa, atende telefone celular, abre trocentos pacotes de bala, estoura bola de chiclete.

Ontem fui ver Sud Express, dos diretores Chema de la Peña e Gabriel Velázquez. Mostra Foco Espanha.


Retrato sensível da União Européia feito a partir do relato de 5 passageiros do trem que liga Paris a Lisboa


Se você quiser embarcar no clima da trilha sonora do filme, clique aqui

.: escrito por Ana Maria 8:50 AM


deixe aqui o seu comentário:
Site Meter