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Anink Marink

Me acompanhe nesta viagem através do diário-país

Quinta-feira, Março 30

Fly me to the Moon and let me play among the stars

Eu era ainda muito criança quando assisti pela tv a chegada do homem à Lua. Assistir não é bem o termo. Eu passei pela sala muito rapidamente obedecendo o chamado da minha mãe que me dizia pra guardar aquela imagem.

- Esse momento vai entrar para a História.

Olhei pro homem de macacão estufado, mas juro que preferi voltar pras minhas brincadeiras.

Ontem à noite, no entanto, fiz questão de acompanhar o lançamento da Soyuz. Queria ver o Marcos Pontes - o primeiro astronauta brasileiro a entrar em órbita. E adorei a cena em que ele aponta a bandeira verde-amarela no uniforme e faz o sinal dizendo que está tudo bem. Viajei no tempo.



Fotos: globo online



Update: É de embrulhar o estômago ver o nosso patético presidente conversar dia sim e o outro também com o astronauta brasileiro. Tô quase deletando esse post. Contagem regressiva para o desaparecimento: 10, 9, 8, 7 ...

.: escrito por Ana Maria 10:35 AM


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Terça-feira, Março 21

Casas do Jardim Botânico - Horto

De todos os bairros que visitei procurando casas para o registro do estilo arquitetônico, o Jardim Botânico se mostrou o mais pobre de ofertas. Das poucas que sobreviveram, 90% delas viraram restaurantes ou clínicas-médicas, com direito a letreiros, portas-blindex e todo tipo de esculhambação da fachada original. As 10% restantes estão caindo aos pedaços.
Depois de muito andar, subir e descer ladeira, cheguei ao Horto e pude, enfim, fotografar o que eu queria.











.: escrito por Ana Maria 10:28 AM


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Quarta-feira, Março 15

Lá onde o vento faz a curva

Se continuar nesse ritmo, em breve chegarei ao Espírito Santo. Ando desbravando a Zona Oeste da cidade e dessa vez fui até Barra de Guaratiba conhecer o Sítio Roberto Burle Marx. O paisagista, artista plástico e designer escolheu viver longe do burburinho da cidade grande e construiu uma casa perto da serra da Grota Funda. Depois de sua morte, foi doada ao Ministério da Cultura e está aberta à visitação.


Muitas carrancas na fachada porque ele era um homem supersticioso


O atelier que Burle Marx não chegou a ver pronto


Totens espalhados pelos jardins para afastar maus espíritos


O totem que fica bem perto da entrada da capela


O abraço de duas árvores que decidiram crescer entrelaçadas

.: escrito por Ana Maria 7:57 PM


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Domingo, Março 12

Quando o mico acontece ...

... a solução mais adequada é sair à francesa.


"Você de repente reparou que eu não estou mais presente, que saí de fininho e ninguém nem viu, que decidi não participar, que não sou dessa tribo, que prefiro não saber, que eu quero paz e tranqüilidade, que eu fiquei perplexa e não quero mais compactuar, que sumi do mapa, você nunca mais me viu, nem ouviu falar de mim, nem ouviu de mim. É assim mesmo, vai se acostumando, pois eu sempre saio à francesa quando não me sinto mais confortável para ficar."

Fer Guimarães Rosa



Eu leio o blog da Fer.

.: escrito por Ana Maria 12:28 AM


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Sábado, Março 11

Mais uma da Maitena



El País Semanal

.: escrito por Ana Maria 4:33 PM


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Terça-feira, Março 7

Voilà c'est fini




Hoje fiz uma coisa que ainda não tinha feito na vida: terminar uma amizade. Terminar pra valer. Pra sempre. Cortar na carne mesmo.
Cheguei ao ponto de comprar um novo caderninho de telefones e endereços. Passar a limpo. Apagar todos os rastros. Deletar recados, mensagens, presença no Orkut, no Flickr. Fazer questão de não deixar vestígios.
Cansei de mendigar atenção. Amizade não pode ser uma via de mão-única. Um não pode fazer mais questão do apoio que o outro. A nossa relação sempre foi capenga, frustrante. Pra mim, bem entendido. Eu era toda ouvidos, toda atenção e pouco ou nada recebia em troca. Migalhas. Raspas. Enfim me dei conta de que eu agia - ele reagia. Sua ternura parecia efeito colateral das minhas iniciativas.
Doeu tomar a decisão. Já chorei e sei que ainda vou chorar mais porque me conheço. Foi um corte terapêutico, digamos assim. E o tempo de cicatrização a vida dirá.

.: escrito por Ana Maria 3:51 PM


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Quinta-feira, Março 2

Ser ou não ser, eis a questão

Segundo todos os catálogos de endereços e guias da cidade, a rua onde moro fica na Tijuca. Bem na fronteira com Vila Isabel e Andaraí. Mas ainda assim tijucana.

Ontem, quando soube o resultado do desfile das Escolas de Samba, me senti um pouquinho campeã. Tenho a maior simpatia pela agremiação do Martinho. Até bem pouco tempo, guardava uma camiseta com o nome Kizomba impresso na frente - enredo vencedor em 1988. Nas costas aparecia a frase: "racismo agora é crime inafiançável".

Também torço pelo sucesso da Unidos da Tijuca, pela proximidade física e pelos sambas - quase sempre entre os melhores apresentados na Marquês de Sapucaí. E claro, pela Mangueira. Nasci ipanemense, flamenguista e mangueirense.

Essa história de viver na divisa já me rendeu algumas brincadeiras. Um dos meus professores na PUC, o cineasta Silvio Tendler, que na época era morador da Rua dos Artistas, em Vila Isabel, não podia me ver que vinha logo com as perguntas que provocavam gargalhadas:

- Quanto é que o corretor de imóveis levou pra dizer que a sua casa fica na Tijuca?

- E aí, como vai a Village?

Grande Silvio.

.: escrito por Ana Maria 10:34 AM


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