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Anink Marink

Me acompanhe nesta viagem através do diário-país

Quinta-feira, Novembro 30

Como chove!

Ontem tomei um banho da-que-les. Sou do tipo otimista e sempre acho que a chuva pode ameaçar, mas só cairá depois que eu chegar em casa. Tolinha. Choveu cântaros e eu ainda estava em Ipanema. Me lembrei imediatamente das ruas cobertas que vi em Curitiba e em Gramado. Não sei a idéia seria viável no Rio por causa do calor. A possibilidade de me ver livre do guarda-chuva e das roupas encharcadas me faz sonhar com essas coberturas. Quem sabe uma rua com teto solar?




Tirei as fotos em Gramado - a cidade da serra gaúcha que pensa em turismo 365 dias ao ano

.: escrito por Ana Maria 4:12 PM


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Domingo, Novembro 26

O padroeiro

Não tenho idéia de quem seja o santo padroeiro da aviação. Vou procurar saber e acender uma vela em agradecimento. Todos os dias, a gente abre os jornais e dá de cara com notícias sobre atrasos nos vôos, confusão nos aeroportos, passageiros revoltados que invadem a pista de pouso ou a sinistra rotina de aviões que quase se chocam no ar.
Chego à conclusão de que viajei pra Porto Alegre na semana mais tranqüila e abençoada do mundo - quem sabe os controladores de vôo estariam aquartelados ou receberam uma proposta de aumento de salário? O que tenho a dizer é que nada de inusitado aconteceu. Ao contrário. Partimos e chegamos na hora marcada e enfrentamos filas absolutamente normais, sendo que no check-in do Galeão a fila se resumia a um casal na minha frente. Até o sanduiche quente servido a bordo estava uma delícia.
Amém!


A espera no aeroporto Tom Jobim aconteceu porque chegamos cedo pro check-in


No aeroporto Salgado Filho, a façanha do avião levantar vôo cinco minutos antes da hora prevista


O avião sendo abastecido com levíssimos e deliciosos sanduíches de presunto com queijo catupiry

.: escrito por Ana Maria 10:46 AM


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Quarta-feira, Novembro 15

Cariocas na mídia

Enquanto tomávamos cerveja e caipirinha de vodka no terraço panorâmico da Casa de Cultura Mário Quintana, apareceu uma garçonete com máquina digital em punho. Pediu permissão pra tirar uma foto nossa e publicá-la no site do bar. Dissemos que tudo bem, mas sem antes arrematar:

- Veja lá onde você vai publicar essa foto, hein! Temos uma imagem a zelar.

Ela ri, tranqüiliza o trio carioca metido a engraçadinho, clica duas vezes e distribui um cartão com o endereço da página. Na volta ao Rio, minha irmã lembrou de darmos uma olhada no site. E não é que a foto estava lá?


Sol, céu azul e o vento frio da primavera gelada de Porto Alegre

.: escrito por Ana Maria 3:11 PM


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Domingo, Novembro 12

Fui pra Porto Alegre, bah!

Passei a semana na capital gaúcha e em Gramado. Adoraria falar português com o sotaque deles. É tão bonitinho ...


Não poderia deixar de visitar a Casa de Cultura Mário Quintana, meu poeta brasileiro favorito


O Hotel Majestic em que o poeta morava foi tombado e virou ponto de encontro

.: escrito por Ana Maria 7:03 PM


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Sábado, Novembro 4

Pé na estrada III

E lá fomos nós de novo para Teresópolis. Meu irmão recebeu um gentil convite para comparecer, com urgência, à 110ª DP. Motivo: prestar depoimento no processo do arrombamento da nossa casa. Muitas dúvidas no ar. Será que os réus estariam presentes? Vítimas e assaltantes cara a cara na delegacia ia ser punk.

Saímos atrasados de casa, pegamos todos os engarrafamentos possíveis até chegar à Linha Vermelha, trocentos mil caminhões na estrada. O Zé parecia ter incorporado o espírito de Michael Schumacher e às 10 horas e uns quebrados estávamos no lugar marcado. Nos apresentamos e o escrivão disse que o cartório ficava no segundo andar. Teresópolis é um lugar frio, mas aquele prédio é sinistro - úmido e pouco iluminado. Bate um vento ali que não se sabe de onde vem. Rapidamente coloquei meu casaco.

Procuramos pela Teresa, uma mulher simpática que pede que aguardemos um instante. Enquanto ela toma café, chama a moça da faxina e diz que não dá pra trabalhar naquela sala com pontas de cigarro espalhadas pelo chão e cinzas sobre o teclado do computador. "O pessoal do plantão da noite fuma demais", afirma ela. A sala, de fato, fedia a cigarro barato. Meus pulmões entraram em estado de alerta, no entanto, com a quantidade de pó em cima dos móveis - um sofá velho perto da janela, três mesas de escritório, três cadeiras que não combinavam com o resto da mobília e um imenso arquivo de metal. Chamei de janela um basculante enferrujado, com praticamente todos os vidros quebrados. Um pedaço de plástico e um cobertor puído tentavam bloquear a passagem do vento.

Teresa dá início aos trabalhos e as perguntas são as de sempre: dados pessoais, como soube do furto, se os objetos foram recuperados, etc. O questionário seguia morno e previsível até que ela solta a frase:

- Ricardo e Maicon estão presos. Foram pegos em flagrante e esse depoimento é pra reforçar o pedido de prisão.

Eu estava em pé ao lado do meu irmão e vi a xerox da foto de um deles no meio das folhas do processo. Pedi pra ver a data de nascimento. Um rapaz bonito, branco, cabelo muito curto. Confiro o dia, mês e ano e digo em voz alta:

- Esse Ricardo acabou de fazer 21 anos. Libriano. Gosta de conforto, tem senso estético.

- Passou o aniversário na cadeia e onde ele está não tem conforto nenhum, completa Teresa.

Fico imaginando em que lugar daquele prédio horroroso os presos estariam confinados. Se o cartório da delegacia é daquele jeito, a cela certamente é uma masmorra. E o rapaz da foto está lá. Ainda adolescente, fez a sua escolha e estragou a vida. Se for condenado, cursará a pós-graduação na universidade do crime em algum presídio brasileiro. Não arranja emprego nunca mais. Fico aliviada que a Polícia tenha tirado de circulação uma pessoa que anda armada, já arrombou dezenas de casas, é capaz de gestos violentos e tem o currículo barra-pesada que ele tem. Eu deveria ter saído contente dali, mas a história toda é muito triste.

.: escrito por Ana Maria 10:16 AM


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